Central de Regulação de Partos: saiba tudo sobre o projeto

A Central de Regulação de Partos – conhecida também como Central de Regulação Obstetrícia e Neonatal ou CRON – é um dos projetos apoiados pela Associação Samaritano que caracterizam prevenção de doenças e promoção da saúde.

Criado em 2016, o projeto teve impacto significativo no município de São Paulo, área atendida pela ação. No post de hoje, vamos explicar o que é a Central de Regulação de Partos e como o projeto contribui para a saúde de gestantes e de bebês.

O que é a Central de Regulação de Partos?

A Central de Regulação de Partos é o resultado de uma parceria entre a Associação Samaritano e a Prefeitura de São Paulo. Seu objetivo é fortalecer a regulação municipal, que estava concentrada no CRUE (Central de Regulação de Urgência e Emergência). A chegada da Central de Regulação de Partos permitiu a melhor distribuição dos casos e o pronto atendimento às gestantes.

A CRON conta com uma equipe multiprofissional composta por 30 pessoas. São 15 médicos obstetras, 10 enfermeiros obstetras, dois coordenadores, dois supervisores e um auxiliar administrativo.

Os pilares da atuação da CRON seguem os preceitos da Rede Cegonha, criada em 2011 pelo Ministério da Saúde, para garantir maior segurança a mães e bebês na rede pública. A resolução consolidou boas práticas em obstetrícia, desde o pré-natal até o parto e os cuidados posteriores.

Como é o trabalho da Central de Regulação de Partos?

O trabalho da CRON consiste em registrar as solicitações por vagas em hospitais e reencaminhar as pacientes o mais rápido possível. Conforme o pedido chega à Central por intermédio da CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde), os profissionais fazem uma busca por hospitais próximos e, quando não é possível encaminhar para um deles, procuram hospitais mais distantes que possam receber as gestantes.

Assim que a vaga é encontrada, a CRON faz a ponte entre os dois hospitais para liberar o transporte da paciente. Médico ou enfermeiro registram o conselho da vaga para que a ambulância municipal busque a paciente.

Os pedidos por vagas podem ser decorrentes da falta de estrutura em determinados hospitais. Em muitos casos, a gestante é atendida em uma instituição, mas não pode dar continuidade ao cuidado naquele local. Por isso, é fundamental que aconteça o reencaminhamento para um hospital apto a recebê-la.

Central de Regulação de Partos é exemplo para o Brasil

A experiência bem-sucedida da Central de Regulação de Partos na maior cidade brasileira é referência para o restante do país. A participação de enfermeiros reguladores tem sido reconhecida como uma iniciativa vencedora e determinante para o êxito do projeto.

Em outras centrais de regulação de diferentes partes do Brasil, os médicos ficam inteiramente responsáveis pela triagem. Com isso, a sobrecarga é maior e as filas tendem a aumentar. Regular os casos de baixo risco com a ajuda da equipe de enfermagem é uma solução a ser seguida em outras partes do país.

Na Central de Regulação de Partos, os enfermeiros assumem os casos de baixo risco, que passam apenas por uma validação final dos médicos. Esse sistema permite que a equipe médica se dedique de forma mais focada aos casos mais graves, que demandam essa atenção.

Vale destacar, ainda, que os enfermeiros da CRON contribuem também nos casos de risco mais alto. Sua participação passa por agilizar a comunicação com outras instituições para viabilizar o encaminhamento das gestantes.

O impacto da CRON na cidade de São Paulo

Desde a sua implementação, a Central de Regulação de Partos transformou a assistência a gestantes na rede pública paulistana. Casos de mulheres desesperadas por terem de dar à luz na rua ou em calçadas de maternidades se tornaram bem raros na cidade.

“A Central tem um impacto muito importante na questão social, pois otimiza a assistência nos serviços públicos”, aponta Erdnaxela Fernandes, Supervisora de Enfermagem da CRON.

Os números reforçam as palavras da profissional. Antes da chegada da Central de Regulação de Partos, aproximadamente 50 pacientes eram reencaminhadas mensalmente pela CRUE. Atualmente, a consolidação da Central permitiu que esse número saltasse para uma média de 600 solicitações por mês.

Os desafios da Central de Regulação de Partos

A regulação de vagas para gestantes na maior capital brasileira envolve uma série de desafios.

No início do projeto, houve um grande esforço para conscientizar os médicos que referenciam as pacientes e solicitam vagas. Criou-se uma cultura de informatização como uma maneira de agilizar o encaminhamento. Os médicos aderiram quando notaram como a regulação ajudava na assistência.

Um desafio que se estende até hoje é acelerar a obtenção de vagas para cardiopatia congênita. Por ser uma condição mais complexa, há poucos hospitais de referência para absorver esses casos. São bebês que nascem com problema no coração e necessitam de UTI neonatal – estrutura que não está disponível na maioria dos hospitais.

Nessas situações, a equipe da CRON se mobiliza em busca de soluções. Muitos médicos entram em contato com colegas de outros hospitais para verificar a possibilidade de encaminhamento. Há casos em que liminares são expedidas por juízes para forçar uma vaga em determinados hospitais.

Erdnaxela Fernandes, uma das supervisoras do projeto, valoriza a CRON: “a regulação reduz o sofrimento das pessoas que esperam. Otimizamos muito a assistência na obstetrícia com as boas práticas em humanização”.

Os projetos apoiados pela Associação Samaritano

A Central de Regulação de Partos é um exemplo do foco da Associação Samaritano, em prevenção de doenças e promoção da saúde. Os projetos apoiados por nós nos últimos anos passam também por outras áreas da medicina. Neste link, você pode conhecer cada um deles. Acesse!