Febre amarela e dengue são ameaças que seguem presentes no verão

Ano após ano, a febre amarela e a dengue são doenças que têm preocupado os brasileiros. O receio se intensifica durante o verão, quando as altas temperaturas favorecem a proliferação dos mosquitos que são vetores dos vírus causadores das moléstias.

Por meio de um método que avalia a infestação do Aedes aegypti – que transmite a dengue, zika e chikungunnya e, eventualmente, a febre amarela – o Ministério da Saúde anunciou que 504 cidades brasileiras estão em risco considerável de sofrer em 2019 com surtos de doenças provocadas por esse mosquito.

No post de hoje, apresentamos um panorama atualizado sobre febre amarela e dengue. Entenda os riscos trazidos por essas duas doenças virais e o que pode ser feito para minimizar o seu impacto sobre a sociedade.

Febre amarela ressurgiu com força em 2017

Entre 2017 e 2018, houve um grande surto de febre amarela na região sudeste do Brasil, que vitimou mais de 400 pessoas. Um dos fatores que contribuiu para isso foi a dificuldade em imunizar a população. Aqui em nosso blog, fizemos um post sobre o tema.

Aconteceram quase 800 casos de febre amarela apenas em 2017, o que levou à sua caracterização como grande ameaça em saúde pública e estabeleceu um fato sem precedentes nos últimos 40 anos. Desde 1980, quando se iniciou a medição anual, o recorde era de 85 casos no ano 2000.

Esse salto impressionante tem raízes históricas. A partir de 1937, quando a vacina contra a febre amarela passou a ser produzida no Brasil, tivemos um avanço excepcional, inclusive com a erradicação do vetor da doença – o mosquito aedes aegypti – em 1942. O mosquito voltou a infestar as áreas urbanas décadas mais tarde, mas o controle foi eficaz e o número de casos não passou da casa dos 100 a cada ano.

O surto que se viu em 2017 e 2018 é resultado, em grande medida, da queda na cobertura vacinal em áreas consideradas de alto e médio riscos, onde o maior perigo é a forma silvestre da febre amarela, transmitida por outras duas espécies de mosquito: haemagogus e sabethes. Isso deixou milhares de pessoas vulneráveis e levou às centenas de casos registrados.

Como controlar a febre amarela

A proliferação do vírus que causa a febre amarela não pode ser plenamente controlada pelos seres humanos. Por isso, a imunização por meio da vacina é o método mais eficaz para proteger a população. A grande questão tem sido o alcance e o volume das doses vacinais, bem como a conscientização das pessoas sobre a necessidade de se imunizar.

Outra forma de controle da febre amarela é o monitoramento de macacos infectados com o vírus. A epizootia (adoecimento ou morte de macacos devido à doença) permite que as autoridades tomem medidas efetivas de prevenção e combate. No final de 2017, por exemplo, parques localizados na zona norte da cidade de São Paulo tiveram o registro de mortes de macacos contaminados pelo vírus. O evento foi um dos propulsores das ações de combate à febre amarela a partir daquela data.

Dengue continua preocupante em 2019

Neste século, o mosquito aedes aegypti ficou mais conhecido pela população brasileira devido à transmissão da dengue – outra doença viral que pode ser fatal em alguns casos. A proliferação do mosquito é uma grande preocupação de infectologistas no Brasil.

Durante o verão, seu ciclo reprodutivo se intensifica e aumentam os riscos de um possível surto de dengue. Felizmente, os registros de óbitos decorrentes da doença têm sido raros nos últimos anos. A recomendação, ainda assim, é que as pessoas se previnam e não deixem água parada para não favorecer a reprodução do mosquito.

No estado de São Paulo, foi identificado o tipo 2 da doença em 19 cidades, fato que acendeu um sinal de alerta. A principal razão é o risco de sobreposição dos tipos de vírus da dengue. Desde 2016, somente o tipo 1 da dengue circulava em SP e estava bem controlado. Pessoas que já foram afetadas por ele podem ter complicações maiores caso sejam expostas também ao vírus do tipo 2.

Febre amarela e dengue: sintomas

Duas das doenças mais conhecidas dos brasileiros, febre amarela e dengue têm sintomas similares. Mas vale a pena se atentar para as pequenas diferenças:

  • Febre amarela: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (pele e olhos amarelados) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina). Também há casos de insuficiência hepática e renal que, em muitos casos, evolui para óbito em poucos dias.
  • Dengue: febre alta (entre 39 °C e 40 °C) que persiste por até sete dias. Perda de peso, náuseas, vômitos, dor de cabeça, fraqueza, dor atrás dos olhos e coceira na pele são outros sintomas recorrentes. Em casos mais graves, dores abdominais intensas, vômitos e sangramento de mucosas podem aparecer.

Febre amarela e dengue: prevenção

A prevenção para as duas doenças é bem diferente, pois a vacina que existe contra a dengue só é recomendada a pessoas que já foram contaminadas uma vez pelo mal. A razão para isso é o risco de uma reação agressiva da vacina em pessoas nunca antes expostas ao vírus. Confira as dicas de prevenção contra febre amarela e dengue:

Febre amarela: A vacinação é a melhor e mais eficaz forma de se prevenir contra a febre amarela. Ela é gratuita e está disponível nos postos de saúde em qualquer época do ano. Sua aplicação deve ser feita antes de viagem para as áreas de risco de transmissão da doença.

Dengue: a melhor maneira de se prevenir contra a dengue é limitar a sua exposição ao vetor da doença, o mosquito aedes aegypti. É importante manter a casa sempre limpa, evitar água parada e eliminar os possíveis criadouros do mosquito. Para pessoas contaminadas uma vez, recomenda-se a vacinação.

Aproveite para conferir também as orientações de prevenção também contra outras duas doenças importantes do Brasil: Zika e Chikungunya.

Fonte: Ministério da Saúde