Obesidade: uma questão de saúde pública a ser enfrentada

Nos últimos anos, a obesidade avançou de forma preocupante ao redor do mundo. Os números ilustram bem a realidade e acendem o sinal de alerta para essa doença crônica.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um em cada oito adultos no mundo é obeso. A projeção atual aponta que 700 milhões de pessoas enfrentarão a obesidade dentro de sete anos. Vale ressaltar que pessoas obesas são aquelas que possuem um Índice de Massa Corporal (IMC) superior a 30. (Para calcular o seu IMC, clique aqui).

Obesidade é uma questão de saúde pública

Um dos desafios no combate à obesidade é o processo de conscientização da população. Muitas pessoas ainda têm dificuldade em associar essa questão aos cuidados com a saúde. A percepção de que se trata de um aspecto meramente estético cria essa barreira de compreensão.

De fato, a obesidade é um problema de saúde pública que atingiu níveis alarmantes em dezenas de países. Essa doença crônica, quando ignorada ou tratada de maneira inadequada, pode desencadear problemas ainda mais graves.

Quais são as doenças associadas à obesidade?

Algumas doenças podem se manifestar como decorrência da obesidade. Pessoas com excesso de peso têm predisposição a desenvolver uma série de enfermidades. Dentre elas, destacam-se diabetes, câncer, osteoartrite, asma e doença cardíaca.

O coração, aliás, é um dos órgãos sob maior risco com o avanço da obesidade, que também figura como um dos principais fatores de risco para a hipertensão, ou pressão alta. A doença mata quase 10 milhões de pessoas a cada ano no mundo. Não por acaso, o mais recente projeto apoiado pela Associação Samaritano tem a luta contra a hipertensão como seu principal foco.

O projeto Better Hearts Better Cities – Cuidando do Seu Coração é um esforço amplo de combate a essa e a outras doenças cardiovasculares. Com apoio da Fundação Novartis e do educador físico e embaixador Marcio Atalla, a iniciativa é um importante instrumento de promoção da saúde no bairro de Itaquera, em São Paulo – região em que a ação acontece.

A realidade brasileira

A implementação do projeto Better Hearts Better Cities – Cuidando do Seu Coração se torna ainda mais relevante quando consideramos o estágio atual em que o Brasil se encontra no combate à obesidade. Embora não atue diretamente sobre os riscos do excesso de peso, a iniciativa passa por esse tema ao incentivar atividades físicas.

O avanço da obesidade no Brasil é uma triste realidade. De acordo com o Ministério da Saúde, a doença cresceu 60% entre 2006 e 2016 no país. O salto estatístico reforça a necessidade de políticas públicas que visam alertar a população. Quase 20% dos brasileiros se enquadram na faixa de IMC que configura obesidade.

Outro índice que chama a atenção é a evolução da doença entre os mais jovens. Nos últimos 10 anos, o crescimento nessa faixa etária foi de 110%. Esse dado é ainda mais preocupante, pois revela a falta de informação e o descaso de muitos brasileiros em relação à enfermidade.

Caso não haja um amplo esforço de diferentes setores públicos e privados, a tendência é de um avanço ainda mais significativo da doença no Brasil.

Alimentação como fator de desequilíbrio

O aumento da obesidade no Brasil tem algumas razões. Uma delas – possivelmente a mais importante – é o desequilíbrio alimentar e as más escolhas no dia a dia.

Alimentos industrializados, refrigerantes e fast food ganharam espaço na mesa do brasileiro. Esses hábitos pouco saudáveis costumam levar ao sobrepeso e, mais à frente, à obesidade.

Algumas opções resultam da desinformação. Muitas pessoas acabam comprando gato por lebre ao tentar adquirir produtos que, supostamente, fazem bem à saúde. Um exemplo são os sucos industrializados com altos índices de açúcar. Isso ocorre porque nem sempre os brasileiros observam os rótulos com atenção para notar essas características.

A falta de discernimento nesse tipo de escolha se soma à pressa imposta pelo estilo de vida nas grandes cidades. A necessidade de comer fora de casa limita as possibilidades e, em muitos casos, induz a alternativas menos saudáveis.

Vale destacar que além da informação, cultivamos toda uma cultura ‘ao redor da mesa’, com forte presença de alimentos e bebidas em grandes quantidades e frequência.

Uma boa notícia é a redução no consumo de refrigerantes. Nos últimos 10 anos, o número caiu de forma significativa: 30,9% dos moradores das capitais bebiam refrigerante regularmente em 2007; hoje, o índice é de 14,6%.

Dia Mundial da Obesidade

Um dos caminhos para ampliar o debate em torno da obesidade em nosso país é promover ações positivas. O Dia Mundial da Obesidade, comemorado em 11 de outubro, tem contribuído nesse sentido.

Este ano, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) mais uma vez promoveu ações de esclarecimento sobre obesidade. O tema central da campanha é: “Obesidade – eu trato com respeito”. Esse mote tem como objetivo afastar o estigma que paira sobre o assunto.

A campanha deixa de lado o sensacionalismo e as dietas milagrosas para que todos olhem para a obesidade com seriedade. Outro cuidado da campanha é evitar os estereótipos e a atitude de apontar o dedo para pessoas obesas. Tratar a doença com respeito é entendê-la em sua complexidade e estudar caminhos inteligentes para superá-la.

A importância de uma vida ativa

Um dos pilares da campanha “Obesidade – eu trato com respeito” é o incentivo a uma vida mais ativa. Manter uma rotina regular de exercícios físicos ajuda na prevenção e no combate à doença.

O grande desafio é encontrar ao menos meia hora a cada dia para encaixar uma atividade física. Essa necessidade de se movimentar esteve na pauta do Dia Mundial da Obesidade, com a realização de caminhadas e corridas. Naturalmente, as atividades aeróbicas se somaram a orientações profissionais de endocrinologistas e nutricionistas.

A importância de uma vida ativa é também uma das bases do projeto Better Hearts Better Cities – Cuidando do Seu Coração. Por isso, o evento de lançamento do projeto aconteceu no Parque do Carmo, em São Paulo. Marcio Atalla comandou uma caminhada ao lado de centenas de pessoas para reforçar o valor da atividade física. Clique aqui para conferir como foi o evento e para saber mais sobre o projeto.

Fontes: Ministério da Saúde e Organização Mundial da Saúde