Queda na vacinação: por que o Brasil enfrenta dificuldades?

As autoridades não têm medido esforços para conscientizar a população sobre a necessidade de imunização contra algumas doenças. Contudo, o que se vê é uma contínua queda na vacinação – algo que decorre de alguns fatores.

Recentes campanhas de imunização contra diferentes doenças enfrentaram vários desafios. De forma geral, todas elas ficaram abaixo do esperado e contribuíram para a queda da cobertura vacinal observada nacionalmente.

Mas por que o Brasil não está conseguindo imunizar sua população?

Por motivos diversos, as recentes campanhas de vacinação contra gripe, febre amarela, sarampo e poliomielite tiveram sérias dificuldades. Há alguns fatores que contribuem para a baixa adesão das pessoas às campanhas de vacinação e que elencamos a seguir.

1- Comunicação

Um fator limitante para o sucesso de campanhas de imunização é a dificuldade encontrada pelas autoridades em se comunicar com a população. Por vezes, não há canais suficientes para informar as pessoas ou o tipo de abordagem não se mostra eficaz.

Sabe-se que uma comunicação bem-feita e abrangente é determinante para que as metas de cobertura vacinal sejam atingidas.

2- Desinformação da população

Muitos brasileiros deixam de se vacinar por que estão desinformados a respeito das campanhas. Há doenças que não deixam as pessoas tão alarmadas, o que reduz o seu ímpeto de buscar mais informações. A gripe é um bom exemplo. Em casos como esse, é fundamental que as autoridades sejam claras a respeito do público-alvo de cada campanha e sobre os riscos que cada doença apresenta.

Em outros casos, os pais não vacinam seus filhos por julgarem que as doenças desapareceram e hoje não apresentam perigo.

Quando as pessoas não sabem exatamente quais são os reais riscos que uma doença traz, a tendência é que tenham pouco interesse em se informar sobre os postos de saúde e as datas das campanhas.

3- Falta de tempo para comparecer aos postos de saúde

Em geral, os postos de vacinação funcionam em horário comercial, das 8 às 17h. Nesse período, a maioria das pessoas está no trabalho e não tem condições de buscar atendimento em um dos postos.

Ações pontuais como o “dia D” ajudam a resolver esse problema, bem como plantões extraordinários aos sábados.

4- Medo de reações adversas do organismo

Vacinas ainda causam medo em muitas pessoas. Além da famosa picada, existe o receio de reações adversas à imunização. Resultado? Uma grande parcela da população abre mão da vacina para evitar esses problemas que julgam ser bastante prováveis.

Ainda nesse ponto, o calendário mais inchado de vacinações gera uma preocupação adicional nas pessoas. Muitas temem que o excesso de imunizantes sobrecarregue o sistema imunológico. O ideal é que essa crença possa ser esclarecida por meio de uma comunicação mais assertiva por parte das autoridades em campanhas futuras.

5- Quedas de cobertura de algumas vacinas

Entre 2015 e 2017, houve uma redução significativa na cobertura de algumas vacinas no Brasil. Ou seja, o Estado não teve a capacidade de imunizar todas as pessoas que se enquadravam no perfil a ser vacinado. A queda foi provocada por diferentes fatores, desde a falta de estoque da vacina até a baixa adesão da população.

Seis vacinas se destacaram por apresentar uma queda percentual de quase 20 pontos percentuais. Poliomielite, hepatite A, meningocócica C, rotavírus, pentavalente e hepatite B foram as vacinas que registraram maior perda no período.

Investimento em imunobiológicos tem evolução satisfatória

Aparentemente, a queda na vacinação que se observa no Brasil não está associada à falta de investimentos em imunobiológicos. Desde 1995, o investimento anual em vacinas saltou de R$ 94 milhões para R$ 4 bilhões, em 2018.

O recurso destinado à compra de imunobiológicos teve um crescimento ainda mais expressivo nos últimos anos. De 2013 para cá, o montante investido nesses medicamentos aumentou em mais de R$ 2 bilhões.

O que se observa é um possível descompasso entre os sólidos investimentos em imunobiológicos e o que se aplica em campanhas como um todo. Ações futuras podem se beneficiar de investimentos mais elevados em comunicação e em cobertura para algumas vacinas e áreas estratégicas.

Por que as campanhas de vacinação contra gripe e febre amarela tiveram percalços?

É importante saber, por exemplo, que a campanha de imunização contra a gripe, iniciada em abril, foi um grande sintoma das dificuldades que o Brasil enfrenta para vacinar sua população. A ação governamental foi estendida por quase um mês para cumprir sua meta inicial, mas ainda assim o resultado ficou abaixo do esperado.

Outra campanha de vacinação de grande importância foi contra a febre amarela. A doença, que fez mais de 400 vítimas fatais no Brasil entre julho de 2017 e maio de 2018, é bastante perigosa.

No entanto, a conscientização da população para a necessidade de imunizar-se foi uma tarefa árdua e decorrente, em grande medida, do desconhecimento sobre a doença.

Vacinação contra sarampo e poliomielite também fica abaixo do esperado

Os desafios de imunização observados no Brasil se estenderam à campanha contra duas doenças que atinge a população infantil: sarampo e poliomielite. A meta de vacinar 95% das crianças entre um e cinco anos de idade não foi atingida.

De acordo com o Ministério da Saúde, a quatro dias data prevista para o encerramento da campanha (14 de setembro), 93% das crianças haviam sido imunizadas. A prorrogação do prazo por 15 dias ainda não foi o bastante para que a iniciativa atingisse a meta inicial estipulada. Existe a expectativa de que mais crianças sejam imunizadas até a próxima sexta-feira (14).

Um aspecto positivo da campanha é o seu êxito em sete estados, que superaram a meta de 95% das crianças vacinadas. São eles: Amazonas, Espírito Santo, Maranhão, Pernambuco, Santa Catarina, Sergipe e Rondônia.

Algumas iniciativas que deram certo nesses estados têm sido replicadas para concluir a campanha com sucesso:

  • Vacinação porta a porta
  • Horário estendido nos postos de saúde
  • Parcerias com escolas
  • Mais dias D (datas de grande mobilização em torno da imunização)

Zé Gotinha volta com força total

Criado em 1986 pelo artista plástico Darlan Rosa, o Zé Gotinha se tornou o grande símbolo da vacinação no Brasil. Seu grande objetivo à época era chamar a atenção das crianças para a importância da imunização e diminuir a sua resistência.

O personagem Zé Gotinha voltou à cena este ano para dar uma força à campanha de vacinação contra a pólio

A doença que motivou a criação do Zé Gotinha foi justamente a poliomielite. O personagem demorou algum tempo para se tornar unanimidade, pois alguns entendiam que um assunto sério não deveria ser tratado com fantasia.

O personagem, que não teve grande destaque nos últimos anos, tem sido utilizado em campanhas na mídia para criar empatia com os pequenos.

Em 2018, o Zé Gotinha se tornou um importante aliado nessa corrida pela imunização das crianças.

Associação Samaritano e a prevenção de doenças

Portanto, a queda na vacinação em nosso país é motivo de preocupação para todos os brasileiros. Desde 2017, a Associação Samaritano tem se dedicado majoritariamente em iniciativas voltadas à prevenção de doenças e à promoção da saúde. Conheça os projetos realizados pela Associação Samaritano nos últimos anos. O mais recente deles, Better Hearts Better Cities – Cuidando do seu Coração, tem como foco o combate à hipertensão.