Saúde no Brasil: conheça os desafios estruturais do país

É de conhecimento amplo da população que a saúde no Brasil enfrenta sérios problemas. Mas é importante nos aprofundarmos nessas questões para compreendermos a realidade de todo o nosso sistema de saúde.

Recentemente, a questão dos desafios estruturais da saúde no Brasil foi um dos temas abordados no encontro da Rede Temática de Saúde, criada em 2014 com o apoio do GIFE (Grupo de Institutos, Fundações e Empresas) e coordenada pela Associação Samaritano desde 2018.

Um dos participantes da reunião foi o Dr. Carlos Del Nero, referência em gestão da saúde há mais de 20 anos. Ele trouxe valiosas reflexões a respeito dos desafios estruturais da saúde no Brasil, que vão desde a sua composição até a situação social do país. Confira os principais temas tratados pelo médico:

A nossa complexa estrutura de saúde

O primeiro ponto fundamental para entender os desafios que o Brasil enfrenta é a composição do sistema de saúde. Existem dezenas de grupos que fazem parte de um grande ecossistema. Fundamentalmente, podemos dividi-lo em cinco grandes grupos:

  • População: (pessoas, famílias e grupos organizados)
  • Reguladores: (Ministério da Saúde, agências, legislativo, judiciário)
  • Prestadores: (hospitais, clínicas e empreendedores)
  • Fornecedores: (farma, tecnologia, máquinas e devices)
  • Pagadores: (SUS, sistemas privados, terceiro setor)

Há muitos atores envolvidos no processo, mas nem sempre a interface entre eles é adequada. Em certas situações, um avanço fica comprometido por questões legais ou burocráticas, tendo em vista que muitas instâncias precisam ser comunicadas.

Outro ponto de atenção na relação desses grupos é a convergência de interesses. Por exemplo, a incorporação de uma tecnologia ao Sistema Único de Saúde pode esbarrar na questão orçamentária ou no planejamento do Ministério da Saúde.

Participação estatal intensa

Embora os investimentos no Sistema Único de Saúde tenha diminuído nos últimos anos, a participação estatal segue intensa no grande ecossistema da saúde no Brasil. Nos três níveis de governo – federal, estadual e municipal – existem muitos órgãos que atuam com foco nessa área.

A participação intensa do Estado, em seus diferentes níveis, não deveria ser algo negativo. A grande questão é justamente a falta de coordenação entre as várias instâncias envolvidas.

Ainda em relação ao SUS, vale destacar que a distribuição dos recursos não é feita de forma igualitária, pois, naturalmente, cidades e estados maiores recebem uma verba superior. Essa distribuição talvez pudesse ser revista, mas ela tem sido positiva sob o ponto de vista social.

Em linhas gerais, quem paga menos ao Estado recebe, proporcionalmente, mais serviços do que aqueles que pagam mais impostos. Essa é uma forma indireta de redistribuição de renda, ainda que não seja a ideal e que possa ser aperfeiçoada.

O envelhecimento da população brasileira

Os desafios de gestão do SUS e da saúde pública no Brasil de forma geral se ampliaram nos últimos anos devido a outro fator social. Existe uma forte tendência de envelhecimento da população brasileira, um movimento já esperado diante do aumento da expectativa de vida e do fato de as pessoas terem menos filhos hoje em dia.

O problema desse envelhecimento é que não houve uma preparação adequada por parte do Estado. Mais idosos geram custos hospitalares cada vez mais elevados, pois toda a linha de cuidado deve ser mais consistente no atendimento a essa população.

Com o envelhecimento da população, os investimentos em saúde pública, em teoria, precisariam ser maiores. Entretanto, a pressão orçamentária sobre os cofres públicos não possibilitou esse caminho. Muitos idosos recorrem a planos de saúde privados. Mas, a maioria não tem condições financeiras de arcar com essa opção.

Um caminho para melhorar a saúde no Brasil

O problema da saúde no Brasil não será resolvido da noite para o dia, pois se trata de uma questão complexa e onerosa. O caminho que se apresenta como promissor, e que deverá ganhar força nos próximos anos, é a maior integração entre público e privado na área da saúde.

Políticas que possibilitem uma cooperação maior entre entidades privadas e órgãos públicos tendem a fomentar soluções que atendam aos brasileiros que mais precisam.

A saúde no Brasil pode ter importantes avanços com iniciativas como a Rede Temática de Saúde. Outro excelente exemplo de como a saúde no Brasil pode evoluir é o Artemisia Lab Promoção e Prevenção, que conta com o apoio da Associação Samaritano no fomento a negócios de impacto no Brasil. Para saber mais sobre essa iniciativa, veja este post.

Fonte: Ministério da Saúde